sábado, 14 de junho de 2008

O DÍZIMO E A REDENÇÃO

O Dízimo e a Redenção
////por Luciano Subirá ////

É impossível discutir a fundo as questões de vida financeira e de contribuição ao Senhor sem entender o que é a redenção. No livro do profeta Malaquias, no clássico texto a respeito do dízimo, encontramos este nível de abordagem. Quando fala da retenção dos dízimos e ofertas, Deus chama isto de roubo:

“Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda”. - Malaquias 3:8,9

Uma abordagem do ponto de vista jurídico diria que o assunto abordado por Deus é uma questão de propriedade. Legalmente falando, envolve posse. E não há como falar de coisas que dizem respeito à propriedade de Deus, sem estudar antes a lei da redenção.

Entendendo a Redenção

Para muitos cristãos, a palavra “redenção” não significa nada mais do que “perdão dos pecados” ou “salvação”. Mas seu significado vai muito além disto. A palavra “redenção” significa “resgate” ou “remissão”. Fala de readquirir uma propriedade perdida. Antes de Deus estabelecer algumas verdades no Novo Testamento, deixou que elas fossem ilustradas no Velho Testamento:

“Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem”. - Hebreus 10:1(TB)

A sombra é diferente da imagem real que a projeta. Assim também, o que se via nas ordenanças da Velha Aliança eram características similares (em ordenanças literais) às dos princípios que Deus revelaria nos dias da Nova Aliança (práticas espirituais). A circuncisão deixou de ser literal e passou a ser uma experiência no coração (Rm.2:28,29). A serpente que Moisés levantou no deserto se tornou uma figura da obra de Cristo na cruz (Jo.3:14). Assim também, outros detalhes da Lei que envolvia comida, bebida e dias de festa, começaram a ser vistos não como ordenanças literais pelas quais quem não as praticassem pudessem ser julgados, mas como uma revelação de princípios espirituais, cabíveis na Nova Aliança:

“Ninguém, portanto, vos julgue pelo comer, nem pelo beber, nem a respeito de um dia de festa, ou de lua nova ou de sábado, as quais coisas são sombras das vindouras, mas o corpo é de Cristo”. - Colossenses 2:16,17

É desta forma que precisamos olhar para a lei da redenção no Velho Testamento. Durante anos Deus fez o povo praticar uma encenação do que Ele mesmo um dia faria conosco. Foi assim com o sacrifício do cordeiro que os israelitas repetiam anualmente em várias cerimônias; por fim, vemos João Batista apontando para Jesus e dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo.1:29). Paulo se referiu a Jesus como o cordeiro pascal (I Co.5:7). Vemos nestas passagens que as práticas repetidas por centenas e centenas de anos visavam leva-los a entender uma figura que só seria revelada posteriormente. Com a redenção não foi diferente.

O livro de Rute nos mostra Boaz resgatando (ou redimindo) as propriedades de Noemi. Ele estava readquirindo uma posse perdida. Toda dívida tinha que ser paga. Se uma pessoa não tinha recursos para honrar seus compromissos, deveria dar seus bens em pagamento. Se estes não fossem suficientes, deveria entregar também suas terras. E se estas ainda não bastassem para a quitação da dívida, a própria pessoa (e às vezes até a família) deveria ser dada como pagamento. Isto faria dela um escravo. Lemos em II Reis 4 que uma mulher viúva, que fora casada com um dos filhos dos profetas, teria seus filhos sendo levados como escravos se não pagasse a dívida. E quando isto acontecia com alguém, só havia duas formas desta pessoa sair da condição de escravidão: ou alguém pagava sua dívida (um redentor) ou ela esperava nesta condição até que o Ano do Jubileu chegasse (que se repetia a cada cinqüenta anos). Veja o que a lei mosaica dizia acerca disto:

"Se teu irmão empobrecer e vender alguma parte das suas possessões, então, virá o seu resgatador, seu parente, e resgatará o que seu irmão vendeu. Se alguém não tiver resgatador, porém vier a tornar-se próspero e achar o bastante com que a remir, então, contará os anos desde a sua venda, e o que ficar restituirá ao homem a quem vendeu, e tornará à sua possessão. Mas, se as suas posses não lhe permitirem reavê-la, então, a que for vendida ficará na mão do comprador até ao Ano do Jubileu; porém, no Ano do Jubileu, sairá do poder deste, e aquele tornará à sua possessão”. - Levítico 25:25-28

Neste texto, que fala só da perda da terra e não da escravidão, vemos que havia três formas de recuperá-la:
1) a redenção (o pagamento feito por um parente);
2) sua própria condição de pagar se viesse a prosperar (o que não ocorria no caso dos escravos);
3) ou a liberdade proclamada no Ano do Jubileu.

Para o escravo, porém, só havia duas formas de ser livre: O Jubileu ou a redenção. A redenção era o pagamento da dívida feito por um parente próximo. Por meio do pagamento ele comprava de volta aquilo que se perdera. Então a pessoa que fora escravizada deixava de pertencer a quem antes ela devia. Por exemplo, se eu me endividasse a ponto de perder todas as minhas posses e ainda ser levado escravo, e meu irmão me resgatasse, eu não deixaria de ser escravo, eu só mudaria de amo. Passaria agora a ser escravo de meu irmão, porque ele me comprara... E qual o proveito disto? De que adiantava ser livre de um para se tornar escravo de outro? A diferença era que o novo dono era um parente que pagara aquela dívida por amor (um escravo normalmente não valia tanto), e justamente por causa de seu amor trataria o escravo com brandura, com misericórdia.

O Que Cristo Fez Por Nós

Foi exatamente isto que Jesus fez por nós. Cristo nos comprou para Deus através de sua morte na cruz:

“...porque foste morto e com teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação, e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra”. - Apocalipse 5:9b,10

O homem foi feito escravo de Satanás quando se rendeu ao pecado no Jardim do Éden. A Bíblia declara que quem é vencido em algo se torna escravo daquele que o vence (II Pe.2:19), e foi isto que ocorreu ao primeiro casal. Foram separados da glória de Deus. Perderam a filiação divina; Adão foi chamado filho de Deus (Lc.3:38), mas esta condição não foi mantida. Quando Jesus veio ao mundo foi chamado de filho único de Deus (Jo.3:16); mas ele veio mudar esta condição e passou a ser o primogênito de muitos irmãos (Rm.8:29). O Diabo se assenhoreou do homem a da Terra, que fora dada ao homem (Sl.115:16), e afirmou isto para Jesus na tentação do deserto (Lc.4:6). Mas Jesus veio pagar a nossa dívida do pecado, e ao fazê-lo, garantiu nossa libertação das mãos de Satanás:

“Ele nos resgatou do poder das trevas e nos trasladou para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a nossa redenção, a remissão dos nossos pecados”. - Colossenses 1:13,14 (TB)

Observe o termo “resgatou”, que aparece quando o apóstolo está falando de ser tirado do reino das trevas e ser levado para o reino do Filho de Deus. Depois, afirma: no qual temos a nossa “redenção”! A redenção foi o ato de compra pelo pagamento da dívida do pecado:

“tendo cancelado o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz; e tendo despojado os principados e potestades, os exibiu abertamente, triunfando deles na mesma cruz”. - Colossenses 2:14,15 (TB)

O texto sagrado revela que Jesus despojou os príncipes malignos. Segundo o Dicionário Aurélio, despojar significa: “Privar da posse; espoliar, desapossar”. Isto nos faz questionar o quê, exatamente, Jesus tirou destes principados malignos. O que eles possuíam que pudesse interessá-lo? Nada, a não ser o senhorio sobre nossas vidas! O despojo somos nós, que fomos comprados por Ele para Deus e a partir de então passamos a ser propriedade de Deus. É exatamente assim que as Escrituras se referem a nós. Somos chamados de propriedade de Deus:

“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. - I Pedro 2:9

Repetidas vezes encontraremos a ênfase de que Cristo nos comprou para si. E o preço foi o seu próprio sangue.

“sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo”. - I Pedro 1:18,19

Portanto, quando Jesus nos comprou, livrou-nos da escravidão do Diabo, mas nos fez escravos de Deus! Coisa alguma que possuímos é, de fato, nossa exclusivamente. Nem nossa própria vida pertence a nós mesmos! Somos propriedade de Deus. Ele é o nosso dono. Conseqüentemente, tudo o que nos pertence, também é dele! Referindo-se ao Espírito Santo em nós, Paulo o chamou de “o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus” (Ef.1:14 - ARC). Observe que o termo herança aparece associado aos termo “redenção” e “possessão” pois é disto que o princípio de redenção sempre trata: o resgate da propriedade.

Celebrando a Redenção

A consciência da redenção deve provocar em nós uma atitude de gratidão e de culto Deus. Paulo falou sobre vivermos uma vida de santidade que é fruto desta consciência de redenção:

“Fugi da prostituição. Todo pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus”. - I Coríntios 6:18-20 (ARC)

O apóstolo deixa claro, em três distintas frases, a ênfase de que somos propriedade de Deus. Primeiro ele afirma que não somos de nós mesmos. Depois declara que fomos comprados - e por um bom preço. E finalmente diz que nosso corpo e espírito pertencem (verbo que indica possessão) a Deus. Portanto, separar-se do pecado e santificar-se para Deus é glorificá-lo por meio do corpo. Não é um culto de palavras, mas não deixa de ser uma exaltação.

Celebramos a redenção não só por meio de cânticos, mas de atitudes. Quando reconhecemos que Deus comprou nosso corpo e cuidamos dele com a consciência de que é de Deus, este cuidado é um ato de glorificação ao Senhor. Da mesma forma, há culto expresso não só por meio de palavras, mas por nossas atitudes em relação a nossas finanças. Assim como Deus redimiu nosso corpo, redimiu também nossos bens. Logo, da mesma forma como usar bem o corpo (em santidade) glorifica a Deus, usar bem os recursos financeiros que são de Deus também o glorifica!

A Simbologia do Que José Fez

José comprou para Faraó todo o povo egípcio:

“Findo aquele ano, vieram a José no ano seguinte e disseram-lhe: Não ocultaremos ao meu senhor que o nosso dinheiro está todo gasto; as manadas de gado já pertencem a meu senhor; e nada resta diante de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra; por que morreremos diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa terra? Compra-nos a nós e a nossa terra em troca de pão, e nós e a nossa terra seremos servos de Faraó; dá-nos também semente, para que vivamos e não morramos, e para que a terra não fique desolada. Então disse José ao povo: Hoje vos tenho comprado a vós e a vossa terra para Faraó; eis aí tendes semente para vós, para que semeeis a terra”. - Gênesis 47:18,19,23

O que aconteceu com este povo? Deixaram de pertencer a si mesmos e passaram a pertencer a Faraó. Seu gado, suas casas, suas terras, tudo pertencia ao rei do Egito. Eles se tornaram servos de Faraó cuidando do que era dele. O que Cristo fez conosco por meio de seu sacrifício na cruz foi algo semelhante. Isto é o que significa redenção. Originalmente éramos propriedade de Deus, mas a condição que a queda e o pecado trouxeram nos roubaram disto. E quando Cristo pagou o preço da nossa dívida, ele nos remiu da mão daquele que havia se tornado nosso dono, o Diabo.

Quando declaramos que somos servos de Deus, estamos reconhecendo que não somos de nós mesmos, e que tudo o que temos na verdade pertence ao Senhor. Somos apenas mordomos de algo que não é nosso. Não nos atolaríamos em dívidas, geradas em caprichos e excessos se andássemos com esta mentalidade. Se cada vez que fôssemos tomar decisões na área financeira, o fizéssemos com a consciência de que os recursos empregados pertencem ao Senhor, cometeríamos menos erros.

Quando José comprou aqueles egípcios para Faraó, tudo o que era deles passou a ser de Faraó; logo, toda renda deles deveria ir para Faraó. Mas o que fez o rei egípcio com o povo? Tomou tudo deles? Não, ele lhes permitiu usarem a terra e os demais recursos para que vivessem; mas para que se lembrassem sempre de que tudo aquilo que eles tinham não era deles, um quinto da colheita (ou 20% da renda) ia para Faraó:

“Há de ser, porém, que no tempo as colheitas dareis a quinta parte a Faraó, e quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento e dos que estão nas vossas casas, e para o mantimento de vossos filhinhos.” - Gênesis 47:24

E o que os egípcios fizeram? Ficaram reclamando e dizendo que era injusto? Claro que não! A reação deles foi justamente o contrário:

“Responderam eles: Tu nos tens conservado a vida! achemos graça aos olhos de meu senhor, e seremos servos de Faraó.” - Gênesis 47:25

Viverem como servos de Faraó era para eles um privilégio, pois eles nem vivos estariam se não fosse a intervenção do rei! Eu vejo nisto um perfeito paralelo do que Deus fez conosco. Nossas vidas e tudo o que tínhamos passaram a pertencer ao Senhor, mas Ele não queria tomar tudo de nós. Ele queria que continuássemos vivendo. Queria que vivêssemos melhor do que o que viveríamos se não fossemos mordomos seus. Então nos disse:

– “Vão em frente. Usem o que é meu para que vocês possam viver suas vidas, e continuarem produzindo, mas não quero que se esqueçam de que são apenas mordomos daquilo que não pertence a vocês. Então de toda a sua renda eu vou querer um décimo (dízimo) para mim, mais aquilo que você vai me dar espontaneamente”.

E sabe o que muitos de nós dizemos? Que não é justo! Como isto pode ser algo injusto? Em vez de nos regozijarmos por pertencer a Ele e podermos servir ao que redimiu nossas vidas, reclamamos muitas vezes de ter que devolver um pouco do que é d’Ele! Tem gente que vê o dízimo como se Deus quisesse tirar dez por cento do que é nosso. Mas esta não é a perspectiva correta. Deus é quem nos deixa ficar com noventa por cento do que é d´Ele! A maioria de nós ainda não conseguiu compreender que a entrega do dízimo é uma forma de celebrar a redenção. Não só expressamos gratidão pelo que Ele nos fez e nos mantemos conscientes de nosso lugar na relação com Deus, como ainda realizamos um ato profético ao dizimarmos.

Um Ato Profético

O dízimo é um ato profético. Assim como quando os israelitas celebraram a primeira Páscoa, praticaram um ato profético, quando dizimamos fazemos algo semelhante. Deus advertiu que naquela noite o anjo da morte haveria de matar todos os primogênitos dos homens e dos animais no Egito (Êx.12:12). Em todas as pragas anteriores, os hebreus haviam sido poupados, mas nesta noite a proteção não seria automática, dependia de um ato profético, da encenação de um simbolismo espiritual. Cada um deles devia aplicar o sangue do cordeiro da Páscoa aos umbrais de suas portas:

“O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito”. - Êxodo 12:13

O sangue de um animal não tinha o poder de promover proteção espiritual, era só um sinal, uma mensagem simbólica. Era um ato profético por meio do qual reconheciam a redenção de Deus em suas vidas naquela noite, e apontavam para o futuro quando Cristo viria nos resgatar e proteger por meio de seu sangue vertido na cruz. O interessante é que os hebreus não precisavam se proteger. Só deviam praticar o SINAL estabelecido por Deus. Então Deus mesmo cuidaria da proteção. Mas se não o obedecessem estabelecendo o sinal de proteção, as mortes dos primogênitos seriam inevitáveis:

“Tomai um molho de hissopo, molhai-o no sangue que estiver na bacia e marcai a verga da porta e suas ombreiras com o sangue que estiver na bacia; nenhum de vós saia da porta da sua casa até pela manhã. Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir”. - Êxodo 12:13

Há algo que precisa ser entendido aqui. Deus diz: Eu passarei pelas portas... Eu ferirei os primogênitos... Em primeira instância, parece-nos que é Ele pessoalmente fazendo tudo, mas não é isto que vemos aqui. Trata-se de Deus determinar a execução do juízo, mas não de exercê-lo sozinho e diretamente. O versículo 23 termina dizendo que Deus não permitiria ao Destruidor entrar. Logo, quem executava as mortes não era Ele pessoalmente, mas um anjo. Vários textos do Velho Testamento enfatizam Deus exercendo este juízo (Nm.33:4 e Sl.135:8), mas a forma como Ele executou isto é o que estamos discutindo aqui.

E que anjo era este? Ele foi chamado de Destruidor. Curiosamente, o mesmo nome é dado ao anjo do abismo, cujo nome hebraico era Abadom e o nome grego Apoliom (ambos significam destruidor); e a Bíblia (Ap.9:11) diz que este era rei sobre outros anjos que saíram do abismo! No juízo que Deus determinou sobre Jerusalém, o anjo destruidor também foi enviado (I Cr.21:15).

Satanás executa atos de juízo divino quando é liberado para ferir e destruir os que desobedecem. E não tenho medo de dizer que quem de fato exercia o juízo de Deus naquela noite era o Diabo, o anjo da morte. As Escrituras dizem que um espírito maligno da parte do Senhor atormentava a Saul (I Sm.16:14-16). Isto não quer dizer que o espírito maligno era do céu, mas que foi enviado por Deus a exercer juízo a quem se recusava a viver o Seu melhor!

O sangue naquela noite de Páscoa era um sinal de propriedade. E o Diabo não pode penetrar além do sangue. Lemos em Apocalipse 12:11 de um grupo de fiéis que venceu a Satanás, e o texto revela que eles o venceram pelo sangue do Cordeiro! Satanás não pode tocar naquilo que é de Deus. Tenho conhecido várias pessoas que foram alcançadas por Jesus vindo da magia negra, bruxaria e satanismo. E pessoalmente ouvi de várias delas que antes de sua conversão tiveram experiências que as fizeram pensar. Tentaram matar um crente com seus trabalhos e não puderam, ou tentaram violar túmulos de cristãos e as entidades materializadas no momento do trabalho diziam que "não podiam tocar naqueles corpos porque eram do Homem lá de cima"! Aleluia! Se até nossos restos mortais que sofreram decomposição estão sob proteção, o que não dizer de nós hoje, nossas famílias e bens?

Quando um hebreu punha o sinal do sangue na porta, estava dizendo com aquilo que era propriedade de Deus e não podia ser tocado. E sempre que a redenção está em questão, Deus decide pessoalmente defender o que é seu. Foi assim na Páscoa e é assim com o dízimo. Quando dizimamos ELE MESMO repreende o devorador! No momento em que um crente dizima, ele está reconhecendo perante Deus e todo o reino espiritual que reconhece a redenção e sua consequência de ter a Deus como seu dono, bem como de tudo o que lhe pertence. Diante deste reconhecimento, o Senhor mesmo afasta o devorador e protege o que é seu. E o Diabo não se atreve a tentar tocar no que pertence a Deus.

Mas quando alguém desobedece o ato ordenado do dízimo, está declarando que Deus não é o dono daquela quantia. E não só está roubando o dízimo (apropriação indébita do que é de Deus) como também está se apropriando dos noventa por cento que ficam. E ao fazer isto, o Diabo está de longe, assistindo tudo. Então Satanás diz:

– “Ah, este dinheiro não é de Deus? O que é de Deus eu não posso tocar, mas o que é seu”...

E é aí que as perdas ocorrem! Devemos fazer do dízimo um ato de celebração da redenção. O número dez está ligado a simbologia da redenção. Mesmo quando fala de prova (10 mandamentos) ou juízo (10 pragas) é porque tem a redenção por trás da história. O cordeiro da Páscoa deveria ser escolhido no dia 10 do mês de Abib (Êx.12:3). Ao entregá-lo devemos ser gratos pela redenção e compreender que através de sua entrega redimimos os noventa por cento restantes da renda para administrá-los ao Senhor.

Perdas e Ganhos

Muitos não entendem a bênção e a maldição da qual Malaquias fala em sua profecia. Acham que Deus ameaça seus filhos para que o obedeçam por medo, mas não se trata disto. Vimos que o Diabo não pode tocar naquilo que é de Deus, mas pode tocar no nosso dinheiro quando deixamos de reconhecer Deus como dono de tudo o que temos. Devido ao nosso pecado de roubar o que não é nosso, o maligno encontra uma brecha para nos tocar. Esta é a razão da maldição ferir os que negligenciam a entrega do dízimo. As perdas se manifestam em decorrência de uma maldição que por sua vez entra em suas vidas pela desobediência.

Por outro lado, a bênção que vem decorrente da fidelidade no dízimo também precisa ser entendida. Não se trata apenas de uma recompensa por bom comportamento, e sim dos princípios sendo devidamente aplicados pelo cristão.

Há ganhos para os que dizimam? Claro que sim! Mas eles não devem ser vistos como Deus aumentando nosso patrimônio, e sim como uma forma de Deus aumentar o patrimônio d´Ele sob nossa mordomia. Jesus nos ensinou um princípio que rege vários aspectos da vida cristã:

“Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito”. - Lucas 16:10

Se não dizimamos no pouco que Deus nos confiou, antes o roubamos, praticando infidelidade em nossa mordomia, Ele não nos confiará mais, pois continuaríamos sendo injustos no muito. Esta infidelidade impede a bênção financeira sobre quem retém o dízimo! Por outro lado, quem é fiel no pouco também será no muito. Se demonstrarmos obediência em dizimar no que já temos, Deus nos confiará mais de seus bens. Esta é a prova que determina quem receberá mais do Senhor e quem não.

Mantendo-nos Conscientes

O Senhor Jesus instituiu uma ceia memorial para que recordássemos sempre aquilo que Ele fez por nós na cruz (I Co.11:24,25). O Senhor nos conhece, bem como nossa inclinação ao esquecimento do que Ele tem feito por nós. Portanto, estabeleceu uma forma de manter-nos conscientes do que fez. O dízimo também atende ao mesmo propósito. Sua relação com a redenção deve nos manter conscientes de que Deus é nosso dono e que somos sua propriedade.

E assim como a ceia faz parte de um culto de gratidão e ainda anuncia uma mensagem (a morte do Senhor até que ele venha - I Co.11:26), assim também a entrega do dízimo celebra a redenção e testemunha a consciência de que pertencemos ao Senhor. É interessante observar que a primeira menção do dízimo na Bíblia aparece justamente num contexto de redenção (Abraão resgatando seu sobrinho Ló) e junto com a tipologia da ceia: Melquisedeque (que recebe os dízimos) vem ao encontro de Abraão trazendo pão e vinho. Quando temos o culto de ceia na Igreja que pastoreio, deixamos para entregar nossos dízimos no momento em que vamos cear.

Assim como celebramos a ceia lembrando aquilo que o Senhor fez por nós na cruz, também fazemos da entrega do dízimo um ato de celebração da redenção. Quando entregar seus dízimos em sua igreja local, faça-o com esta consciência. Uma atitude correta na entrega do que você oferece ao Senhor é um passo vital para desfrutar das suas bênçãos.

Um comentário:

JP675 disse...

nós estamos alimentando lobos quanto mais contribuirmos mas eles cressem e cada vez vão ficando mais forte e a família delas vão aumentando hoje já existe uma fabrica de fazer lobos e ela se chama teologia hoje não existe mais pastores ungidos por Deus, hoje existe pastores feitos em laboratório, é por isso que está acontecendo tudo isso nas igrejas, Jesus tem ficado em segundo plano perdendo para o dinheiro pois hoje se pregam mais prosperidade do que salvação hoje tudo gera em torno do dinheiro. jppl675@gmail.com para quem não conhece a verdade se quiser saber mais me procure.